Garçom que matou vereador e atacou patrão e cliente a facadas estava em transtorno psicótico, diz laudo pericial

  • 08/05/2026
(Foto: Reprodução)
Novas imagens mostram momentos antes de garçom matar vereador em restaurante Um laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) apontou que o garçom Antônio Charlan Rocha Souza sofre de “Transtorno psicótico não orgânico não especificado”. Ele está preso há dois anos após um ataque a faca que matou um vereador de Camocim, no Ceará, e deixou feridos o patrão do acusado e um cliente do restaurante onde ele trabalhava. O g1 teve acesso ao laudo pericial nesta quinta-feira (7). RELEMBRE O CRIME: Em 28 de abril de 2024, o vereador Cesar Araújo Veras (PSB), 51 anos, foi assassinado apenas alguns segundos após chegar a um restaurante. As outras vítimas do ataque criminoso são Euclides Oliveira Neto, de 55 anos, dono do restaurante; e Fábio Roberto de Castro Sousa, de 56 anos, cliente do estabelecimento. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp A Pefoce concluiu, no laudo, que “em face dos elementos analisados, o signatário entende que o quadro do periciado indica Transtorno psicótico não orgânico não especificado (CID-10 — F29), o que implicou em prejuízo total das capacidades de entendimento e de autodeterminação no período de interesse". O laudo apontou que Antônio Charlan era “inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato que cometeu” e complementou: “O crime esteve relacionado com quadro psicótico (delírios e alucinações)”. O laudo integra um Incidente de Insanidade Mental, ingressado pela defesa de Antônio Charlan Rocha Souza, no qual alega que ele deve ser considerado inimputável (ou seja, que não pode ser condenado à prisão) em razão de doença mental. A defesa do réu não foi localizada para comentar o caso e o laudo pericial. Após a entrega do laudo pela Pefoce, a 1ª Vara da Comarca de Camocim abriu vistas à defesa do réu, ao Ministério Público do Ceará (MPCE) e à assistência de acusação, na última quarta-feira (6). LEIA TAMBÉM: Vereador assassinado por garçom chegou ao restaurante instantes antes de ser morto, no Ceará; vídeo Quem foi o vereador assassinado a facada por garçom em restaurante no Ceará Família doa córneas de vereador morto por garçom em restaurante: 'Conforto em meio a tanta dor' Leandro Vasques, advogado da família do vereador Charles Veras, comentou o laudo em nota: “Na qualidade de advogados da família enlutada, reconhecemos o trabalho realizado pela perícia forense, no entanto, é imprescindível o aprofundamento da investigação acerca do real e efetivo estado de saúde mental do acusado praticante desse inominável crime”. Charlan atacou as vítimas com uma faca que ele pegou na cozinha do restaurante. A faca era usada para cortar frutas usadas nos coquetéis. Ao avistar a faca, o garçom teria ouvido uma voz masculina falando "Vai! Vai! Se até o Rei Davi matou, por que tu não pode fazer isso?", segundo o laudo pericial. “Destaque-se que o próprio laudo corrobora a aguda e elevada periculosidade do réu e a natureza gravíssima de seus nefastos atos, deixando evidente que ele não possui, sob qualquer pretexto, condições de conviver em sociedade”, reforçou Vasques. O laudo traz ainda que Charlan teria sentido uma "pressão, como se houvesse uma enorme força externa controlando-o". Ele disse que não lembra de ter atacado as vítimas pois "foi como se sua mente se apagasse". O garçom disse que só teria voltado a si quando já estava dirigindo o próprio carro, com manchas de sangue nas mãos e a faca usada no ataque. “Reiteramos nosso compromisso inabalável com a busca por um desfecho processual que honre a memória do vereador Cesar Veras e garanta a segurança coletiva, acreditando que o Poder Judiciário tem plena ciência da gravidade do fato apurado e da indiscutível necessidade de um indivíduo, como o acusado, ser mantido distante do convívio social”, complementou o advogado da família do vereador, Leandro Vasques. Denúncia do MP César Veras foi presidente da Câmara de Camocim de 2019 a 2020. Arquivo pessoal O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou Antônio Charlan Rocha Souza em junho de 2024. A Promotoria de Justiça considerou que o garçom agiu de maneira que impossibilitou totalmente a defesa das vítimas, e que a motivação do crime foi fútil. Ele foi denunciado por homicídio e tentativa de homicídio. A Polícia Civil disse que Charlan teria cometido o crime motivado pelo suposto assédio moral que sofria no restaurante onde o homicídio ocorreu. A família do vereador contestou a versão que o garçom teria agido motivado por assédio moral, e apresentou novas imagens de câmeras de segurança que mostram a ação do garçom antes do crime. Com isso, o MP chegou a pedir que a Polícia analise e inclua os novos vídeos no inquérito em até dois dias. Vereador morto e dois feridos César Araújo Veras, de 51 anos, foi morto após ser esfaqueado na região do pescoço pelo garçom Antônio Charlan Rocha Souza, que trabalhava no restaurante onde o vereador tinha acabado de chegar. Além do político, outros dois homens também foram esfaqueados: o dono do restaurante, Euclides Oliveira Neto, de 55 anos; e um cliente que estava no local, identificado como Fábio Roberto de Castro Sousa, de 56 anos. As imagens que o MP pediu que fossem incluídas no inquérito mostram o garçom Antônio Charlan, cerca de três horas antes do crime, próximo a um colega de trabalho que estava amolando a faca que, mais tarde, Antônio Charlan usaria para matar César Veras e esfaquear outros dois homens. Antônio Charlan pegou a faca de um colega de trabalho para cometer o crime Reprodução O vídeo também mostrou o garçom voltando ao local onde estava a faca, um pouco antes do crime, e pegando o objeto sem que o colega de trabalho percebesse. Pouco depois, Antônio Charlan iniciou o ataque ao vereador. Em seguida, o garçom saiu correndo, entrou no próprio carro e fugiu. Versão da polícia Conforme o inquérito da Polícia Civil, o crime teria sido motivado pelo suposto assédio moral que o garçom sofria no trabalho. "Indícios existem de que Charlan queria atacar de alguma forma a pessoa de Euclides, motivo pelo qual o indiciado marcou ele e os melhores amigos do dono do estabelcimento, aqueles que sempre frequantavam o local, dentre eles o vereador César Araújo Veras e Fábio Roberto de Castro Sousa. Assim, a autoria e a materialidade do crime estão devidamente comprovadas, bem como a motivação do crime foi descoberta após a investigação concluída pela equipe da Polícia Civil de Camocim", diz um trecho do inquérito policial que o g1 teve acesso. Dados extraídos do aparelho celular de Antônio Charlan com autorização da Justiça mostraram que ele pesquisou antes do crime os termos “funcionário pedindo demissão”, “desrespeito trabalhista”, "trabalhador demitido", “pagamento errado”, “patrão desrespeitando funcionário”, entre outros. Além disso, o homem também acessou na Internet conteúdos relacionados a "melancolia", "tristeza permanente e profunda", além de "pertinência". "Por fim, vale ressaltar que o presente relatório concluiu pela possível existência de problemas psicológicos por parte de Antônio Charlan, podendo ter sido gerado, 'uma hipótese', pelo desrespeito aos seus direitos trabalhistas", diz um trecho do documento. Ainda conforme o inquérito, também foram analisadas 664 mensagens via WhatsApp trocadas pelo suspeito, porém a polícia não conseguiu extrair nenhum conteúdo criminoso ou algo relacionado ao crime que vitimou o vereador e os outros dois homens. "Conforme se pode analisar, não existe qualquer conteúdo criminoso, dias antes ou depois do fato que possa ter motivado o investigado, a prática desses delitos. Garçom conhecia as vítimas O garçom trabalhava há 13 anos no restaurante onde o crime aconteceu. Ele conhecia as três vítimas, sendo uma delas seu patrão, e não tinha desavenças com elas. No decorrer das investigações, a polícia ouviu outros funcionários e ex-funcionários do estabelecimento. Uma das pessoas ouvidas chegou a relatar que trabalhavam "sob muita pressão". Garçom matou vereador em restaurantes poucos instantes após vítima chegar ao local, no Ceará. Reprodução Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/05/08/garcom-que-matou-vereador-e-atacou-patrao-e-cliente-a-facadas-estava-em-transtorno-psicotico-diz-laudo-pericial.ghtml


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